domingo, 2 de outubro de 2011

Não estou morrendo

Acho que pelos meus últtimos posts posso ter dado indevidamente a entender que o meu caso seria terminal ou coisa parecida.

Percebi ultimamente que algumas pessoas tem me tratado como se eu estivesse morrendo, olhando com pena e isto me deixa muito chateado. Sei que para quem está olhando de fora e com todas as intercorrências que tive pode levar a pensar isto.

Mas quero dizer que em nenhum momento pensei em jogar a toalha e abandonar o tratamento ou perder as esperanças. É lógico que uma pessoa que está um mês confinado a um ambiente hospitalar, recebendo  antibióticos fortes na veia a cada 8 hs, sendo furado diariamente para tirar sangue para exames, fraco ainda pelo efeito de quimioterapia e de uma infecção por bactérias no cateter venoso central, com alguns dias de febre.

Que teve uma convulsão, crise de ansiedade e passou pela UTI  recentemente; tem picos de desânimo e muitas vezes pensa algumas besteiras. Mas são coisas passageiras que eu resolvo conversando com a minha mulher e com os médicos.

Gostaria de falar para as pessoas não enviarem estas energias negativas de como se eu fosse uma pessoa que estivesse morrendo. Não, eu estou fazendo o tratamento, lutando, me submetendo a tudo aquilo que tem que ser e os resultados esperamos ser positivos.  Contando ainda, caso necessário com outras opções de tratamento de acordo com a evolução do quadro clínico. Mas ninguém pode prever, nem os médicos, pois ninguém tem bola de cristal.

O poder da vida e da morte pertence somente a Deus e já aconteceu de 2 pessoas que oravam por mim que morreram por outros motivos que não o câncer. Qualquer um pode atravessar a rua e ser atropelado ou ter um ataque cardíaco ou outro tipo de problema.

Mandem só energias positivas e pensem que eu vou ficar bom.  Se esta for a vontade de Deus, se não for só Ele também sabe a hora, como vai acontecer para todos nós. Enquanto há vida e o sangue corre pelas veias estamos aprendendo com a vida e nos aperfeiçoando.

Se um dia os médicos chegarem para mim e falarem que não tem mais jeito, que tenho tanto tempo de vida, eu vou ser o primeiro a postar aqui e contar para vocês.

Hoje já estou me sentindo bem melhor e estou pressionando os médicos para me liberarem, porém tem uns antibióticos que ainda vão vencer amanhã e eles não podem liberar antes. Além disto tem a questão da febre, mas não tive mais nem ontem, nem hoje. Desculpem eu falar desta forma, mas tenho que expressar as minhas emoções e obrigado a todos que tem orado e torcido por mim.

5 comentários:

  1. Ola Felipe, compreendo perfeitamente as perguntas que colocou ao seu médico, as coisas que lhe passam pela cabeça numa altura destas. Perguntar se vale a pena fazer quimio e qual é o seu prognostico não quer dizer que você baixou os braços e desistiu de lutar! Quer dizer que você tem medo, que já passou por muito e que quer evitar (dentro do possível) mais sofrimento em vão... E isso tudo é HUMANO!
    Por isso mande à merda os moralismos sobre a morte! Você esta vivo, e vai estar vivo até ao dia que morrer (que espero seja daqui a muitos anos). Não conheço ninguém imortal, e é como você diz, qualquer pessoa pode morrer sendo atropelada por um autocarro num dia normal da sua vida...
    Envio muitas energias positivas, com esperança que você vai melhorar, EU ACREDITO QUE SIM.
    Um beijinho*

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  2. Excelente reflexão, Felipe!

    Disse tudo o que eu gostaria de dizer aos meus amigos que me olham com pena quando digo que tive e estou tratando o câncer de mama.

    O pior sentimento que as pessoas podem dirigir a nós é o sentimento de pena.

    As pessoas que "se julgam sadias" têm a falsa ideia da imortalidade e nunca lembram que todos somos mortais, com câncer ou não.

    E nem os médicos podem nos dar sentença de morte. Somente Deus sabe a hora certa e por isso a nossa obrigação de estar sempre desejando a vida, estejamos adoentados ou não.

    Minhas energias para você e para as demais pessoas que acompanho nesta luta são sempre positivas. Médicos têm um papel muito importante na nossa cura pois dão as armas físicas para o combate a doença, mas a energia vital está no nosso Íntimo e é ela que nos mantèm fortes, sempre.

    Abraços e avante!

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  3. Ah! Este é o Felipe, o que não desiste, o que está sendo usado pela espiritualidade para um bem maior, seu e de tantos que o seguem por aqui.
    Sofrer não é fácil, principalmente quando há dor física, privação da companhia dos nossos amados, longa permanência no hospital. Mas, como você mesmo diz, há ainda muita lenha para queimar e a morte é apenas consequência natural da vida. Autopiedade não combina mesmo com você, por isso não merece a piedade dos outros. Você e nós sabemos dos percalços enfrentados por quem sofre dessa doença, mas essa sua atitude de querer usufruir do bom da vida já é remédio. A ciência vai avançando a cada dia e milagres são as pequenas coisas do dia a dia.
    Quer saber? Não acredito que os médicos um dia cheguem para você e lhe digam que não tem mais jeito. Eles estão aprendendo, com a prática médica, que ninguém é dono da verdade. E que o nosso corpo tem uma sabedoria que nenhum médico ou medicamento substitui.
    Para quem acha que você está jogando a toalha, levante-a como uma bandeira ao sol e simplesmente... viva! Beijos carinhosos, Angela
    Vamos continuar aplicando o reiki a distância em você, para que saia daí mais rápido e fortalecido para continuar se cuidando.
    http://noticiasdacozinha.blogspot.com

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  4. Acabei de postar meu comentário e fui visitar o blog de outro amigo querido. Veja só o que eu encontrei lá:
    Ostra feliz não faz pérolas!
    As pérolas são feridas curadas, são produtos da dor. Resultado de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia. A parte interna da concha de uma ostra é uma substância lustrosa chamada nácar.
    Quando um grão de areia penetra as células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola é formada.
    Uma ostra que não foi ferida de algum modo, não produz pérola, pois a pérola é uma ferida cicatrizada. Você já se sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém? Você já sentiu que seu mundo está para desmoronar, que nada dá certo, que os problemas rondam você? Você já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas idéias já foram rejeitadas? Então produza uma pérola!
    Cubra sua dor, suas mágoas, suas rejeições sofridas com camadas de amor. Lembre-se apenas de que uma ostra que não foi ferida jamais poderá produzir pérolas. E que as pérolas são feridas cicatrizadas.
    O processo de produzir a pérola é a resposta que um pequeno ser pode dar ao insulto que recebe, ao estranho que entra no seu mundo e que o machuca. Podemos dizer então que a pérola é a resposta da ostra quando machucada.
    Eu não sei o que você faz das suas dores. Eu não sei o que você faz dos insultos que recebe. Eu não sei o que você faz das dificuldades na sua vida. Eu não sei como é que você lida com aquilo que nós consideramos sofrimento. Eu só sei que a sabedoria nos ensina que quando uma dor nos toca, de alguma forma, uma redenção já se aproxima, porque a redenção só é possível no momento em que a gente descobre o significado do sofrimento.
    Há pessoas que sofrem por sofrer. Há pessoas que descobrem o significado do sofrimento. E você já parou para pensar que, quanto mais uma pessoa sofre, mais histórias ela tem para contar depois? E que quanto maior é o sofrimento maior é o ensinamento que fica dele?
    Eu sei que é difícil, eu sei que não é fácil utilizar-se dessa linguagem. Eu sei que na prática, quando o sofrimento nos envolve, é difícil a gente descobrir um significado para ele. Mas nós não podemos negar que a gente vai ficando sábio à medida que a gente vai descobrindo o jeito de lidar com a vida. Que todas as suas feridas possam, em breve, se transformar em pérolas!

    Padre Fábio de Melo
    Tudo a ver, né?

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